sábado, 25 de julho de 2020

Quando Olho para Ti

Quando olho para ti, já não és tu que consigo ver!
Por entre contornos tingidos no horizonte perdido,
Nas palavras que nunca te disse, que nunca te escrevi,
Nas emoções que guardei e nunca consegui transmitir
Por ti, para ti, o quanto especial conseguias ser,
As garrafas que deixei, as noite que perdi,
O meu pensamento viciado e dorido
Tranquilizou quando te viu partir.

Quando olho para ti, lembro-me por saudade
No significado da nossa união,
Poderosa pelo tempo que passávamos a nos provocar,
Perigosa pela tendência em quebrar a nossa amizade
Elevando-a a algo mais espiritual, com uma maior tensão
Que atenuava os nossos traumas, o nosso corpo, o nosso jeito de amar.

Quando olho para ti, sinto a falta que me fazes de ser especial,
De ouvir palavras loucas, de ser arranhado, mordido,
De tudo o que fazíamos ou éramos, nesse tempo,
Nunca tive medo,
Nunca senti medo nos teus braços, no teu coração,
Nunca tive sonhos em que tu não fosses a estrela principal,
Nunca tive vontade de chorar ou me sentir perdido,
Nunca imaginei que sem ti houvesse tanta escuridão.

Quando olho para ti, não me vejo a teu lado,
Culpabilizar alguém seria o maior erro a cometer,
Porque foi bom e sempre que me lembro de ti,
Fico com um sorriso parvo na cara,
A minha alma quebra, como no dia que te vi
No jardim ao lado de tua casa, com o teu cabelo desviado
Pelo vento emancipado, pelo sorriso que me fez derreter
E perceber o quanto tu és rara.

Quando olho para ti, sinto vergonha de mim mesmo,
Sinto que te perdi e me perdi consequentemente,
Foste um raio de luz na penumbra de minha alma,
Sem ti não saberia tantos significados,
Tantas alegrias, tanto de mim mesmo,
Foste a única capaz de me decifrar verdadeiramente,
Sem querer nada em troca, só amor, a tua calma
Perdura na paz dos nossos atos.

Quando olho para ti, sinto uma enorme gratidão,
Fico feliz por te ver sem mim, real,
Tu merecias mais, tu mereces mais,
Tu necessitas de mais!
Alguém que não use o silêncio para te amar,
Alguém que seja maior que ele próprio e use a compreensão
Para apaziguar a tua solidão desleal,
Para reconfortar o teu jeito de sonhar.

Quando olho para ti e era isso mesmo que eu que queria fazer, 
Olhar para ti, sem ser um olhar desnaturado,
Acompanhado do que nunca te consegui dizer,
Obrigado!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sábio


            Recordo com saudade uns tempos distantes, noites de calor em que o pessoal se juntava ao pé do café a conversar sobre um pouco de tudo, as horas pareciam insuficientes para acompanhar tanta sabedoria, eu como qualquer miúdo ouvia delirante todos aqueles devaneios, todas aquelas aventuras, mas houve um dia, como me poderia esquecer desse dia, o dia em que discordei de uma das pessoas mais sábias que eu conheci e hoje vejo que ela tinha toda a razão quando dizia: “Por vezes uma guerra existe não porque queremos, mas porque é necessário alimentá-la”, estas palavras pareciam-me tão desadequadas e mesmo assim aquele homem que eu coloquei em causa a sua sabedoria nunca me deixou à deriva, ensinou-me a crescer, a sua imortalidade não estava no seu corpo, mas nas suas palavras, ele que parecia saber sempre o que dizer mesmo na situação mais caótica, por vezes era ridículo não por dizer: “Ainda bem que existe pessoas brilhantes, para compensar a falta de talento dos que se julgam importantes”, mas porque se achava irrelevante só porque não sabia pegar numa caneta e extrair de lá em palavras toda a sua importância, hoje o homem que recordo respondeu-me categoricamente sobre uma das maiores injustiças que conheci, um amigo meu com aspecto diferente no seu princípio de convivência com a sua própria terra era marginalizado e eu numa conversa com esse sábio perguntei-lhe: “Porque é que Deus fez alguém assim para estar sempre a ser gozado?” e ele ternamente me respondeu: “ Porque Deus não lhe achou qualquer defeito”.
                Esse sábio há muito que nos deixou e hoje talvez num momento de desespero ele fazia-me falta, precisava da sua voz para me ajudar a encontrar o caminho, como daquela vez que eu fui tratado como lixo e ele me reconfortou dizendo: “O nosso corpo é só uma defesa da nossa verdadeira identidade, repara, os manequins das boutiques são elegantes e úteis, mas falta-lhes o essencial, cabeça e coração, também há pessoas assim, mas a vida mostrou-me que os corpos menos confiantes de si mesmo escondem as almas mais puras, funcionam como escudo da sua própria bondade, se ela não percebeu isso, é porque não tinha de ser assim, a dor é passageira se não for alimentada...”, porque eu hoje percebo as suas palavras, eu hoje sei o que é estar numa guerra sem querer, mesmo assim estar lá sem ceder posição para talvez transformar algo em muito melhor, alimentar os extremos, como o céu e o inferno estarem em pólos diferentes e em tantas vezes parecem estar conjugados aqui na terra, então procuro respostas, leio Pessoa, vejo filmes, ultimamente tenho visto com frequência o V for Vendetta e lembro o meu sábio amigo dizendo: “Uma segunda oportunidade é o maior acto de inteligência da raça humana, raro é alguém conseguir uma…”, oiço uma amiga que em tantas vezes parece ser a encarnação daquele sábio, podia até comprar algumas garrafas, decerto elas me dariam um estado dimensional para irresponsavelmente quebrar as regras e serviria também de álibi para o agravamento do erro, no fundo agiria como qualquer pessoa age em desespero, no fundo este texto serviu para recordar um grande homem que tinha como lema de vida: “Pratica o erro até ao limite da perfeição, pratica o raro, não ligues ao que os outros dizem, mantêm-te original...”, um homem que também sofria e que precisava de ajuda, e eu nunca o soube ajudar, nem entender quando ele disse: “ O que uma pessoa às vezes precisa é de uma pessoa que nos trate mal, e não de uma pessoa que nos deixe de tratar bem…”, ele nunca consegui superar a partida da sua mulher e da sua filha, e é embargado nesta tristeza toda que a minha aprendizagem do legado daquele mestre me assume a voz para te dizer: “Devias transformar o teu coração numa sala de estar, numa casa onde os teus amigos pudessem ficar em segurança sem medo de falhar, num refúgio para apaziguar as almas agitadas que procuram a tua protecção, a tua sabedoria; acaba com esse armazém selado de rancor e ressentimentos, com essa bomba prestes a explodir a quem ousar compreender o seu trabalhar.”             

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rupturas

    Há dias em que acordo com uma sedenta vontade de me exprimir, mostrar toda a revolta que sinto pelas políticas dominadoras, pelo domínio exercido que nos torna vulneráveis a opinião de alguém, esta minha índole política faz-me apetecer partilhar algumas opiniões, apesar de não gostar de política, mas serei fútil ao ignorar o que me faz crescer para a sociedade, para o Mundo?
   Começo por algo mais suave, a dependência pelas mensagens à borla, logo aí um erro, porque se é pago um tarifário é para termos direito a um serviço, logo não são de borla, estão contempladas, uma boa estratégia de marketing, um convite ao consumismo, porque a activação destes serviços cria a vontade de ter algo sempre para dizer, nem que seja um simples olá, mas este mecanismo de comunicação faz com que cada pessoa gaste com o telemóvel mais de 100€ por ano, sem estes serviços qualquer um acharia um exagero, mas com franqueza, actualmente sem um serviço destes estamos sujeitos a mandar uma mensagem e ficar sem resposta, hoje em dia viver sem um tarifário destes é como viver sem internet, computador ou o próprio telemóvel.     
   Agora passo para assuntos mais frágeis, as inúmeras religiões que existem, sendo que a maior parte acredita e venera o mesmo Deus, só que dizem mal umas das outras porque cada uma acha que ela é que sabe amar de verdade o seu Salvador. Deus tem um coração demasiado grande onde todos temos o nosso lugar, até mesmo as pessoas que não acreditam nele, são para nós um teste à nossa fé, mas cada um é livre de ter a sua opinião, ou a falta dela, e talvez essa falta de opinião exista pelo monopólio financeiro que essas religiões vão adquirindo à custa dos seus fieis, esquecendo por vezes os seus próprios ensinamentos; e se numa ideia megalómana todas as religiões que veneram o mesmo Deus se unissem num acto de fé, numa reestruturação das suas bases irredutíveis, numa renovação da esperança que as pessoas necessitam para acreditar neste Mundo onde cada vez mais escasseia a Humanidade entre pessoas, reparemos então no caso do nosso Portugal, atravessamos uma grave crise, ignorada durante muito tempo pelos nossos políticos, agora vem o FMI injectar dinheiro a troco de mais dinheiro, mas Portugal não precisava só de dinheiro, precisava de ser reeducado, precisava de adoptar as boas medidas que os outros países têm para não estarem constantemente a precisar de ajuda, podiam vir cá nos ensinar estratégias válidas, não manobras de recurso, nós até somos um povo dotado de algumas capacidades, não se podem esquecer que foram os portugueses que descobriram quase meio Mundo, temos pessoas a singrar desde o desporto à literatura, passando pela arquitectura até à música, logo por azar que manda no nosso dinheiro são políticos; mas acima de tudo somos humildes, por vezes até demais, e não pretensiosos como certas pessoas que vão para as praias dos outros países aproveitar a sombra das falésias e fazer das placas a dizer Danger um belíssimo estendal; nunca fechamos os olhos à evolução, não fingimos ignorar o aparecimento dos carros híbridos em detrimento da fonte do petróleo.
       No dia de Portugal ouvi uma reportagem onde entrevistavam personalidades sobre o que era ser português, uma mulher disse o mais acertado, somos um povo melancólico, ela tem toda a razão, somos um povo triste, incapaz de viver com a sua tristeza, no máximo conseguimos conviver, no fundo todos nós somos frustrados, Portugal ajudou a escrever muita da história do Mundo e agora vivemos aparte, à mercê da esmola dos outros, somos comandos por uma Alemanha que esteve sempre na origem das grandes guerras pela sua sedenta vontade de esmagar os outros, vivemos da compaixão sentimental, nem monetária, de uma grande potência chamada Brasil, um povo que fomos nós que os ensinamos a falar e mesmo assim nem aprenderam correcto, no fundo para dizer que em tudo existe política, um jogo de poder, de ganância, onde só um ganha, que me lembre só existe um jogo onde ambas as partes podem ganhar: o Amor, e esse é um jogo tão complexo de jogar, é na falta dele que cresce o ódio, por sua vez sacia a vontade de viver meramente por uma felicidade pura.
        Despeço-me nas palavras de Chino [Moreno]: “Now drive me, so far away, I don’t care where just far away”, talvez todos os que nos revemos nestas palavras sejamos irresponsavelmente cobardes por acreditar que existirá sempre alguém que numa situação má nos levará para longe dos problemas, será que esse lugar existe ou mesma até essa pessoa?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um Decadente Homem

Em toda a sua plenitude o cenário era desolador,
Um pobre Homem caminha para casa vagarosamente
Sem pressa de chegar, sem amor pelo que está em seu redor,
Desmotivado e desinteressado pelo seu estado demente.

Recolhe a uma sala fechada
Onde um piano adormece inconsolado
Pela tristeza desbravada
Do seu executante quando é tocado.

Uma sala pequena que tinha nas paredes frases e apontamentos
Que aquele insurrecto Homem escrevia na sua amargura.
Pelo chão garrafas vazias impunham-se para esquecer momentos
De realidade, concebendo um estado ultra dimensional que perdura.

Em cima do piano repousava o contagiante livro do desassossego,
Em cima do livro um bocado de lata dando vida a um cemitério de cigarros,
Tudo estava num terrível e abismal, talvez inquietante, sossego
Até ele começar penosamente a tocar o hino dos desesperados.

Só o frio rasgava aqueles momentos de tensão
De notas descompensadas no seu tempo devido,
Sobre uma desconcentração que vinha do coração
Que perdeu a inspiração e a força com que era movido.

Aprendeu a não gostar de tudo o que um dia gostou,
Enquanto espicaçava aquelas teclas com a Creep dos Radiohead,
E sobre aquela magnífica melodia então apenas cantou:
“I love you so much, but I lost you in my head”.

Um improviso embargado pelas lágrimas comoventes
Que deixava cair sobre a sua tenebrosa dor
De não poder contar com mais ninguém para além daquelas cúmplices paredes
A quem ele confidenciava os seus segredos, medos, as tristezas e o seu rancor.

Saiu. Por vezes só aquela sala interessava,
Por vezes apetecia-lhe quebrar todas as regras que sabia,
Sair por entre indefinições e experimentar o que o ultrapassava.
Martirizava-se, sentia-se parvo por se ter apaixonado por quem não conhecia.

Voltou para casa imerso numa enorme escuridão,
Apenas quebrada pela chuva que caía abundantemente
No momento em que percebeu que vivia numa ilusão
Profunda, sem saber como sair e seguir em frente.  

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Três Irmãos

A janela está encravada,
Maldita casa que guarda uma nauseabunda escuridão
De perpétuas almas sedentas pelo desconhecido,
Almas que cresceram banidas da civilização
Num monte de terras densas com sonhos de nada,
Assoladas pela renitência dos que usavam um melhor tecido.

Eram três pobres irmãos,
Que um dia brindaram este Mundo de almas perdidas
De vaidade e viciadas na existência de algo irreal
A que muitos dedicavam a vida na concepção de algo real
Aos olhos dos outros, todos esses olhos juntos acharam que os três irmãos
Eram demasiado insignificantes para pertencerem às suas ridículas vidas.

Rudimentares sentimentos e displicentes actos vergonhosos
De tais gentes que se achavam fidalgos de uma era moderna,
Que descoravam as capacidades daqueles que não pertenciam aos seus padrões
Concebidos à sua imagem gasta e repetida por tantos outros ladrões,
Regras banais de etiqueta utilizadas em esquemas manhosos,
De manhã bebiam champanhe no hotel, a noite um copo de vinho cravado na taberna.

Pessoas hipócritas de bolsos vazios, passeando-se com dinheiro de plástico,
Dinheiro com menos valor que o do Monopoly com que os irmãos brincavam até à exaustão
E cultivavam a sua capacidade de assimilar o que um jogo pode ensinar.
Aqueles miúdos cresceram e tornaram-se algo maior do que o pensamento podia imaginar,
Tornaram-se eles próprios a criação, pobres coitados, tiveram um castigo muito drástico,
Tornaram-se homens que encadeavam palavras para servirem os outros de inspiração.

Afinal aqueles ignorados de nome desconhecido tinham um fim,
Utilizarem a sua peculiar sensibilidade para ajudarem a expressar quem não sabia falar
Dos seus sentimentos, mas também ninguém sabe! Foram rejeitados,
É triste saber que apesar daquele esforço eles nunca foram amados
Só porque não era de bom-tom juntarem-se a eles, eram pobres, e cá para mim
Suicidaram-se no mesmo dia por já não querem viver num lugar onde ninguém se quer amar.

Eles tinham uma visão muito invulgar entre a possibilidade e o sonho,
Acreditavam que todos nós tínhamos o mesmo direito à felicidade,
Sentiram-se traídos quando descobriram ser impossível
Espalhar amor por todos de igual, questionavam-se agora se existia algo possível
Neste Mundo onde há pessoas que magoam outras, onde o que é belo pode ser medonho,
Onde o Amor, por burrice ou por interferência, pode ser uma infelicidade.

A cidade adormeceu finalmente na sua infâmia, saudosa e desejável ignorância
Sem nunca mais recordar os três desgraçados pensadores,
Eles que ajudaram e ergueram uma cidade com uma enorme grandeza.
Ingratos! Hoje só resta uma pequena pedra em memória dos irmãos, e é preciso destreza
Para a encontrar no lugar mais recôndito da serra da Vigilância
Onde repousa as cinzas e a obra dos Homens que escreveram “Faria tudo pelos meus amores”

sábado, 30 de abril de 2011

Florbela Espanca

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...

-----------//-------------

Minh'alma, de sonhar-te anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um Pedaço de Mim

           Nem sempre existe uma melhor maneira de começar um texto, ou qualquer coisa na vida, por vezes basta pegar numa caneta e escrever o que a nossa cabeça e o nosso coração vão ditando, sem apagar a sua agressividade no dia seguinte, temo não ser nada bonito o que daqui para a frente se vai contar, mas se querem culpados já têm nomes. É no silêncio que me lembro de mim, numa solidão caustica que me lembro como era feliz, feliz não, alegre de uma forma manipulada, mas gostava, sobretudo das paixões que ganhei, das pessoas que ajudaram o meu crescimento, lembro-me de tudo todos os dias, especialmente dos momentos em que fui perdendo o que me era fundamental até chegar a este vazio que sinto, não que esteja só, mas falta-me algo, parece que nada já me satisfaz, parece que tudo perdeu o seu encanto natural, sinto-me chateado comigo mesmo, desiludido com este Mundo que foi criado para mim sem me pedirem opinião, onde tentam filtrar pessoas por mim, mas se são essas pessoas que ainda me dão algum alento e se para estar com elas é preciso quebrar limites, então continuarei a ser um pessoa a quebrar limites, porque posso não ser a pessoa mais decidida do Mundo, mas odeio que tomem decisões por mim, que se comportem como se fossem eu mesmo, sem sequer saberem como eu sou. Tento adormecer e como senão bastasse, tu, outra vez, agora parece que só alivio-o a minha dor, momentaneamente, quando escrevo sobre ti, tento arranjar palavras, linhas, sentidos, direcções, já nem temo escrever sobre ti, nunca o tinha feito, pelo menos publicamente, mas na vida nada é tão simples, o amor não é tão simples como 2+2=4, pois não? Eu nunca me apaixonei por alguém tão próximo, são no mínimo oito horas diárias, mesmo que eu quisesse não poderia evitar, tudo se resume a ela, todos falam em nós, mas nós não existe, em tudo existe ela, temo estar cada vez mais viciado naquela miúda de olhos esperançosos, sinto-me triste por estar a viver nesta monotonia revoltante, sinto que estou a perder-me, sinto-me agressivo, sinto-me uma carta vazia com tanto para te dizer, um frustrado nesta história que não pedi para entrar. Há dias uma pessoa dizia-me que estava triste porque dava as pessoas mais do que elas mereciam, talvez me sinta assim também, isolado por não compreenderem naquilo que me tornei, ou naquilo que nunca deixei de ser, mas sinto-me ainda mais triste por não estar a conseguir cumprir com a promessa que fiz para 2011 e que esbocei num texto, sinto falta de ouvir um gosto de ti, de receber um beijo ou um simples abraço sem pedir, sem ser num acto de cumprimento, sem ser por minha iniciativa, sinto falta de me sentir útil, cresci numa grande revolta e não me estou a conseguir afastar dela.
           Se ainda quiserem culpados pelo tempo que perderam, ele aqui está, eu!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Constatações

           Sou demasiado simples para as ambições de certas pessoas, não sou o acto consumado das expectativas geradas por quem nunca quis saber o que eu queria ou gostava, sou demasiado nervoso para ser sociável à vossa maneira e se num acto de altruísmo eu ajudar quem me rebaixou, por não ter cumprido os planos que só existiam nas suas cabeças, fará de mim especial ou burro? Tudo é uma imensidão de constatações espelhadas pelo quotidiano, afectadas pelos acontecimentos que se desenrolam; e se na maior angústia eu olho pela janela e vejo uma luz esplendorosa, assume-se em mim uma réstia de esperança que me alivia, apesar de ser falsa, todos nós precisamos de um acontecimento suficientemente importante para despontar a nossa vida, nós não somos auto-suficientes, precisamos sempre de alguém ou algo que nos faça sentir o coração para além do seu normal funcionamento, precisamos de algo que seja tão simples que se possa resumir numa palavra ou algo que transforme nosso entendimento num labirinto e que nos faça sair das nossas máscaras concebidas para vivermos num Mundo menos bonito.
           É em momentos conturbados ou de dúvida que recorremos aos nossos amigos, realmente, somos todos interesseiros, queremos os melhores amigos, que durem para sempre ao nosso lado, para nunca abanar a nossa estrutura, para nunca sucumbir o nosso bem estar, mas por vezes bastava retribuir para que tudo e todos fossemos bem melhores, para que todos fossemos uma ideia da nossa autoria, concebida e posta em prática pelo seu próprio criador e principal beneficiador, sem ter que abanar outras estruturas, apenas conjugar o nosso melhor com o dos outros, evitar e evitarem sermos revoltados, amargurados, inconsequentes ou inimigos de nós mesmos. Um dia saberei falar mais detalhadamente sobre esta esperança em que acredito?
           E se no maior caos chegaste tu, revolto-me, fico confuso, se por um lado tens características menos boas, por outro assumes o controlo total da minha cabeça e do meu coração, o teu olhar provocador, a tua simpatia codificada, analiso e comparo algoritmos tentando perceber se és uma equação de primeiro grau ou impossível? Tudo isto faz-me parecer incompetente, sinto-me de pés e mãos atadas, mesmo que quisesse não poderia fugir, como um animal enjaulado, parece que perdi a lógica, mas parece tudo tão simples, como impossível, óbvio, como uma armadilha da minha carência, parece que ando a ser manipulado, parece que o Mundo se poderia resumir a um nome, de facto não me é indiferente, dá para notar, eu sei, mas resumir um Mundo, o meu, a alguém que me deixa sem reacção? A vida é como o amor, só em chamas é que lhe damos o real valor, o meu coração está circunscrito, ora reacende, é assim que tu me deixas, tornas toda a minha criatividade em algo banal, a falta de argumentos é sinal de fraqueza e eu tenho me sentido ridículo, por isso escondo-me por entre as várias identidades que criei, nelas tento ir buscar a clareza que as viu nascer, mas nem elas têm uma resposta para toda esta inquietude, elas conhecem-me como ninguém, mas nem elas sabem me aconselhar, num momento de loucura escrevo linhas e linhas tentando formalizar um sentimento, no fim saio para espairecer, para organizar a minha cabeça neste caos inerente e vejo um antigo algoritmo, que irónico, também alguém que eu pensava ser a razão de todas as matemáticas e que não passou de mais um problema sem solução, deveras constato as semelhanças destes dois casos, com tanto em comum como de contraditório, apenas que aquela verdade indubitável em que acreditava não passou de uma mera ilusão, e aí reside o meu medo, sinto-me à deriva, parece que perdi todo o meu pragmatismo e raciocínio, penso, não existe coincidências, certo? Mas quando acontece algo que tenhamos planeado lucidamente ou em sonhos, ficamos inseguros ao ponto de ficarmos descrentes das nossas convicções, e se afinal houver coincidências, existir um mero acaso para testar as nossas emoções? E se num súbito momento me dá a vontade incontrolável de te agarrar e beijar-te por tempo indeterminado, silenciava todas as minhas palavras difusas que me têm morrido na boca, escorraçando todas as minhas dúvidas, mas nisto demovo-me baseado na repercussão de tal heroísmo, tento comparar os prós e contras e analisar as retumbantes consequências de tal acto, acima de tudo não te quero mal, porque tu e só tu, sempre tu, aliás tu és uma redundância de 2011, em todo lado existe algo teu, mesmo sem saber o que és afinal para mim. Fecho os olhos, tento acelerar a rotação do Mundo para tentar esquecer os olhos mais bonitos que alguma vez conheci, tento ficar no silêncio para não vacilar mais e resumo todo o meu mistério e dúvidas naquilo que sempre fui, (…), um monte de reticências, uma pessoa inacabada, estou frio demais para apostarem em mim.
           Há muito tempo que não me sentia assim, já nem sei nada, ou por outra, se alguma vez soube perdi a noção, nem escrever me tem ajudado a clarear as ideias, tenho me sentido à deriva e temo estar num grande dilema, preciso de ajuda, talvez, estar irredutivelmente viciado numa pessoa significa admiração ou paixão? Avanço ou não? Nada é tão simples! E porque olhas para mim, sobretudo dessa maneira, numa provocação desconcertante, sobretudo para mim que sou um erro, um rascunho de uns desenhadores desinspirados e agora também um imbecil incapaz de ter um encadeamento de palavras para te dizer, em vez de um discurso de mentiras piedosas, que serve para ganhar tempo para perceber o que me aconteceu, bastava dizer a verdade, mas agora reparo que tu não tens lugar para mim no teu coração, talvez só como amigo, acabo a noite com as palavras a ganharem sentido, o da verdade para grande alegria, descontente, da minha parte, e peço desculpa por te ter envolvido na minha atenção conflituosa e paro imediatamente de escrever antes que constate o que acabei de perceber, por já não ter forças para dizer o quando me destabilizas. Afasto-me, tento, mas não sei se quero.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Parabéns Fred

Conheci-o naquela fábrica de personalidades,
Confesso que me foi completamente indiferente,
Mas naquele conjunto de mutantes de várias idades
Ele ia distinguindo-se dos outros pela sua mente.

A sua cara enegrecida pela barba cerrada
Sustinha-se num corpo magro e extenso,
Parecia de certo modo arrogante, uma imagem errada,
Algo só compreensível com paciência e bom senso.

Demorei a entende-lo em toda a sua forma de estar,
Havia assuntos em que discordávamos bastante,
Mas a nossa amizade cresceu e fez-nos acreditar
Que tínhamos pela frente um futuro deslumbrante.

Ele tornou-se aquele grande amigo,
Um irmão, fizemos planos, éramos inseparáveis,
Criamos um Mundo só nosso, aberto a qualquer outro amigo
Que estivesse farto dos seus Mundos miseráveis.

Ele um dia incentivou-me a escrever,
Criamos o 200, apaixonamo-nos pela Madalena.
O nosso Mundo fazia-nos esquecer,
Molda-mos as nossas vidas em algo que valia a pena.

Mas um dia a escola acabou,
O dia da partida foi tão doloroso,
Sobretudo quando ao ouvido me segredou:
“Estou feliz por ser teu amigo, sinto-me orgulhoso”.

Recordações e momentos que ninguém consegue apagar,
Os nossos caminhos seguiram rumos diferentes
E desde então não nos resta mais nada senão recordar
Aqueles miúdos alegres bastante irreverentes.

Ele também escrevia, inclusive perdeu-se nas suas linhas,
Nas suas alegrias, nas suas tristezas, nas suas paixões,
Em todo o lado que passava marcava pessoas, vidas,
Todos temos guardado para ele um lugar nos nossos corações.

A escrita morreu-lhe no sangue vertiginoso,
Apagou alguns nomes do seu coração,
Todo o seu Mundo ficou mais silencioso
E a sua cabeça entrou numa desgastante colisão.

A sua ausência tem-se notado,
Cada vez mais, desapareceu por entre a escuridão
Deixando na lembrança o seu melhor lado,
Mesmo quando na despedida deixou uma má impressão.

Mas ele morreu na minha cabeça há anos,
Infelizmente, mas não no meu coração,
Continua a ser um dos meus melhores amigos
Mesmo no silêncio que impera na nossa ligação.

Só te queria dar os meus parabéns,
Apesar de não ter nada para te oferecer,
Apenas te peço neste dia de parabéns
Para voltares a ser quem eras, pode ser?

               
                                             Lewis C.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

2011

           O Mundo é uma imitação de si mesmo, é uma constante mutação, é um fingidor de convicções, é uma moda falsa! Somos todos! Pertencemos a ele, na sua plenitude. Podia falar especificamente, mas não para já, vou falar em casos gerais, saio numa noite para beber café e vejo sobretudo miúdas entrelaçadas em nicotina e álcool, rodeados por muitos amigos, de ambos os sexos, por vezes cometendo loucuras, por vezes esboçando somente a sua alegria estrondosa. Nada de estranhar, fim de noite, chego a casa e ligo a internet (impressionante o que lá se pode encontrar, perigoso por vezes) e encontro em páginas de redes sociais as mesmas pessoas que vi no café, talvez não sejam as mesmas pessoas, talvez sejam as verdadeiras, sem grandes euforias, com “posts” genuínos, mostrando por vezes a sua fraqueza, embora implicitamente; lanço o meu olhar pelas suas informações e constato que muitas nem referências têm à família, os seus gostos musicais passam por aquelas bandas que tentam completar a ausência, que nos tentam situar no silêncio para sobrevivermos, bandas mais conceituadas como os The Cure, Portishead, Placebo, Radiohead, Muse que agora até viraram moda, agora ouves Muse és “fixe” e já não aquele “nerd” como no tempo do Showbiz; com as confirmações/emergentes Sigur Rós, The Arcade Fire, Snow Patrol, The xx, La Roux, todos estes nomes têm se esforçado para ajudar as pessoas com lacunas, ainda bem que existem pessoas capazes de porem em palavras sentimentos tão minuciosos, de criarem ambientes melancolicamente agradáveis para a solidão.
           Há um caso que me desperta mais atenção, uma miúda jovem, bonita, atraente, simpática, inteligente, em suma, com todas as qualidades apreciáveis numa mulher; sente-se só, escreveu quase por estas palavras na sua página de uma rede social, existe nela uma espaço entre a realidade e a perfeição, chama-se amor, decerto haverá explicações e tudo pode não passar de especulações, mas a verdade é que ela tem refugiado a sua simpatia nas ríspidas palavras do Valete, cada um lida da melhor forma que consegue com as suas desilusões/preocupações, e em tantas casas existirá tantas pessoas iguais a esta singela miúda, que encanta só de olhar para o seu sorriso, mas a imagem heróica que criaram de outra pessoa não passou de um esboço falhado, só por isso não têm que fechar o seu coração aos outros, talvez nunca mais tenham dado uma oportunidade a mais ninguém de se mostrarem, os preteridos, que ainda hoje estão lá para as ajudar, nem esses tiveram essa sorte, e eles sempre estiveram lá.
           E o que vejo, até eu próprio talvez já tenha participado neste ciclo viciado, é que neste ano novo que surge, apelidado de difícil, desde a entrada do euro todos são, mas este em particular devido a factores globais, devemos enterrar guerras, abrir novos caminhos de esperança, estar unidos e pensar, assim como Eça escreveu: “Deus deu-nos o dom de o amar, não de o compreender…”, ou para quem não acredita no messias dos cristãos, que na vida nada acontece por acaso, tudo se reflecte numa introdução a algo melhor e temos a oportunidade certa no início de mais um ano seguir com a nossa vida, não de nos prendermos a um passado a que nada já interessa senão a vontade de amar que existia nessa altura. Parafraseando o malogrado actor António Feio: “Façam o favor de serem felizes!”.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal dos Tristes

           O tempo caminha a passos largos para o dia de natal, o frio já se faz habituar e tem caído geadas dissimulando a neve que não vai cair, mas não é só a neve que não vai existir naquele dia, a noite de consoada impera no imaginário como das noites mais importantes do ano, mas existe uma terra onde a noite da consoada é um acto desumano de união. Todos os anos um grupo de amigos e pessoas que não pertencem a esse grupo juntam-se num armazém para celebrar o aniversário do menino, para celebrar a generosidade do pai natal, para celebrar outra qualquer convicção ou apenas a falta de uma; naquela terra o jantar da consoada é como outro qualquer jantar, talvez a única diferença é ter um menu igual todos os anos, assim como o facto de acabado o jantar as famílias dessas pessoas efectuam a mesma rotina de todos os dias do ano, então nessa mórbida solidão esses amigos acabam por sair e andarem à deriva nas ruas tristes, acabando sempre a noite naquele armazém juntos, uns trajados com camisolas da Dolce Gabana e ténis Merrell partilhando o mesmo momento com aqueles que têm as calças rasgadas por causa dos anos de uso diário, eles também são humanos, um dia foram ensinados a partilhar, eles também tentam que aquele aniversário seja como tantos outros aniversários e muitos ou quase todos aqueles amigos acabam-se por embebedar, mas hoje têm uma boa razão para o fazer, para esquecerem a família encenada que não têm. Naquele dia, ali, todos são iguais, todos são alegremente e amarguradamente tristes.  

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dejá Vu

               Dejá Vu! É exasperante tentar perceber! Olho para esta avenida de sonhos desfalecidos, desfocados em esperanças vãs, mas elucidativas. Estou cansado, sento-me descaindo os braços pelas pernas, concentro-me em intransitivas realidades, não que me apeteça, mas porque assim o tempo me obriga, penso e repenso chegando sempre à mesma conclusão; trago em mim uma necessidade enorme de beber, o álcool é o maior calmante da alma, ajuda momentaneamente a esquecer a razão pela qual começamos a beber, reduz o nosso ego a uma ingénua e enganadora felicidade, pego na garrafa fechada e deixo-me cair para trás, mantenho-me deitado nesta estrada de ambições desfiadas até que o tempo me traga a sabedoria de desistir. E é sem perceber nada que neste abismo de mágoas que me penduro, tento facetar o olhar para extrair algo de positivo de todos os acontecimentos que me obrigam a escrever, não que eu não goste de escrever, mas pelo motivo que o tenho de fazer, faz-me por em causa tudo e mesmo o pouco talento que poderia ter tido acho que o perdi. Sou apenas uma (des)ilusão e tudo o que faço é um espelho disso, por tudo isto é que a resignação é a única via para a socialização.         

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Alquimia Invertida

               O silêncio é rasgado pelo impetuoso coro de onomatopeias vociferadas por Dexter Holland e seus comparsas, acordo no meu leito de inquietudes, aproveito os últimos dias de Verão, levanto-me com a cabeça dispersa em tantos lados, apresso-me no tempo que se desenvolve, que estranho, parece que a noite trocou com o dia, está escuro, aliás muito escuro; também parece que o mar se mudou para o céu, está aguerrido nos projécteis diluídos que expele nas suas marés, uma preparação para o Inverno, talvez, mas vai ensaiando um dissimulado sorriso de timidez e breves aparências solares; estão reunidas as condições para a melancolia, sustentadas pelo ambiente quente que está no carro, pelo desprezo que sinto pelas músicas que estão a passar na rádio, faz-me silenciar tudo e desenvolver uma das minhas corrosivas lembranças de hoje, a descaracterização de um amigo, ele parece como o tempo de hoje, inesperado, lamentável, sinto-me apreensivo pelo seu desalento, ele tem o seu coração maniatado pela sua auto-estima, que ao ver a hipótese de ser feliz, recua por achar que não tem capacidade para tanta responsabilidade, por se achar inferior a tudo, refugiando-se na arrogância, num Mundo recriado e viabilizado pelos filmes que vê, tentando dissolver esta felicidade em esquecimento, sorrindo, por vezes, para esquecer o que lhe faz sofrer. Não sei como o hei-de ajudar? Não o gosto de o ver assim, amargurado, apesar de hoje ter-me parecido bem, um pouco sarcástico, mas está estável, amanha será uma incógnita, está despedaçado pelo seu amor, encontra-se desiludido, ele tem se parecido tanto comigo!                    

sábado, 30 de outubro de 2010

Halloween Experiences

(It kills the time until it is half night…)

Silence takes possetion of the town,
The long night erased the sun,
The witches and monsters crush the prison down,
Cries out and scares people for fun.
(Unleash your Nightmares…)

Drop off your mask
And put the other at your face,
Singing with the one terrific voice and smiling ask:
Trick or treat?
(Start your Vendetta…)

Your fears disappear in the water,
Today you return to the times of teen,
Smash the pumpkins of your father
And just enjoy your own Happy Halloween.
(You are the lost child in its empty minds…)

(Exist something strange in your heart…seems…seems off!)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Virgem Suta - Linhas Cruzadas

(Pedia uma melódia mais entusiasmante, apesar de estar banalizada, fica aqui esta letra muito sui generis) 

Reajo a esse incomodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração

(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor

(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Displicência

               Ainda o tempo é uma formalidade já eu ando ensaiando um protótipo de semelhanças para ir trabalhar, a rua parece um espelho com traços celestiais, o céu assemelha-se a um quadro melancólico delineado em tonalidades de cinzento, ouve-se a água a movimentar-se por entre os descampados e as casas que sustentam a civilização, do vento ouve-se um murmúrio insistente que nos traz à memória tempos antigos, enquanto a chuva parou por entre as esperanças dos que se aventuram neste desassossego. Parou, assim como eu, sentei-me nesta conjugação disfarçando imagens, tudo é um pretexto e nada uma resposta para tudo, faltam-me palavras, ideias, gestos; reparo que a chuva é como as pessoas, por vezes desejada, por vezes rejeitada, ora forte, ora fraca, ela também sofre de solidão, mas tem a solução de nesses momentos vir ter com todos nós, quando está aliviada desaparece por entre o rasto denunciante; hoje precisava de ti, para me arrefeceres, para sentir uma presença. A minha madrinha e a minha heroína tentaram, eu tentei indo ao café, mas não resultou, hoje precisava de mais, apetecia-me ser como a chuva, para não ter que dar explicações para ser feliz. Instalou-se em partículas uma ténue neblina no ar, nas minhas imagens, no meu coração, em tudo o que é bonito, parece que por hoje chega de ver realidades.   

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sociologia à Máquina de Escrever

           Tive um sonho estranho! Sonhei que estava em casa e batiam-me à porta, ia abrir e exclamava que era a perfeição, ela respondia que era um mito, perfeição é apenas um termo da paixão; nesta confusão de linguística acordei irritado e com força para criticar, a primeira conclusão a que cheguei é que a vida é um supermercado e nós aquelas pessoas que colocam rótulos nas coisas, afinal fazemos isso toda a vida, rotulamos pessoas, até mesmo aqueles que dizem odiar rótulos, parte-se do pressuposto que odeiam as pessoas que os aplicam, mesmo sem as conhecerem, aplicam-lhes um rotulo também. Todos nós temos rótulos, todos temos um prazo, todos um dia estaremos na prateleira, noutro dia no lixo, vivemos das comparações e de frases ou ideias pré-concebidas, vivemos da opinião dos outros, apesar de dizermos que não nos afecta, vivemos do rótulo que os outros nos dão, da simpatia dos repositores e das tabelas estipuladas por mais alguém de rótulos. Confuso? Patético?
            Segunda conclusão a que cheguei é que um perdedor é sempre um vencido, mesmo quando vence essa vitória não é verdadeira, ela apenas atenua a derrota. Vejamos pelo sexo feminino, uma espécie esplêndida, admirável; uma pessoa com uma boa escolha musical revela a sua personalidade! Rótulos e tabelas (outra vez), eu tenho as minhas e todos temos os nossos parâmetros para avaliar pessoas, baseando-me nas minhas tabelas cheguei a uma conclusão e deixo uma questão de difícil compreensão, pelo menos para mim, porque é que existe mulheres, que preenchem vários requisitos, de tabelas díspares, rotuladas com potencial, adoptam uma postura arrogante (uma vantagem de qualquer mulher bonita), um estatuto de intocáveis durante o pré e pós universidade e quando estão de fim-de-semana durante o período universitário, todavia quando estão na Universidade perdem todas as directrizes que tinham tomado até agora, parecem fúteis, básicas, algumas a tocarem o desinteresse? Chega a ser ridículo o ar megalómano que certas pessoas passam atreladas a pessoas da mesma estirpe ou pior das que rejeitavam. Afinal o que é que mudou?
           Eu também tenho rótulos e até acho que acabei de ganhar mais uns quantos, mas na verdade quem é que na vida já não se deparou com estes casos? Por vezes a ambição leva-nos ao ridículo e quando nos deparamos com o vazio esquecemos o que um dia criticávamos. Confuso? Patético? Olhei para o lado e mesmo assim existia inexistência, também não ando na Universidade, logo numa tabela perfaz…

domingo, 3 de outubro de 2010

Uma Estrada Chamada Solidão

           Sigo por esta estrada fora, já se desenlaça nela três dias deste mês de transição, está desgastada pelos anos que por aqui têm passado, pelas pessoas que singularmente aqui passam, pelo desespero de serem sempre os mesmos aqui a passar, parece tão velha como a sensação mais ambicionada do Mundo, parece difícil de a percorrer, é difícil encontrar alguém, mesmo sabendo que por aqui passa tanta gente, são gotas de tempo que vão caindo como as pedras que lanço por entre o caminho, para além do frio que aqui se faz sentir, há também o cansaço que se apodera da nossa cabeça.
           Encontrei dois homens descansando, é tão raro encontrar aqui alguém, sem querer ouvi o que diziam, o mais eloquente palreava sobre deslumbres, enquanto o mais ponderado sábio dizia que ele deveria amar as qualidades dela, não o seu dinheiro; continuei o meu caminho em pensamentos, mas aquelas palavras pareciam-me demasiado sinceras para serem ignoradas, aquele sábio parecia tão céptico, mas afinal é um apaixonado, um sonhador, para ele o poder era supérfluo aos olhos do amor, apesar de saber que as mulheres gostam de poder, os homens gostam de poder, ele próprio, mas para ele o único medo era aqui estar sem a menina dos seus olhos, ele encontrou o seu rumo e está feliz, apesar de estar aqui, mas deve ser só às vezes; resto eu, um simples ouvinte de histórias, um dia pode ser que tenha algo para acrescentar à minha.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mendigo

O luar já alcança no alcatrão a sombra do meu ser,
Passam despercebidos fumadores de rasgados sorrisos
Entrelaçados em calças tão sujas e rasgadas como as minhas,
Deles apenas o cabelo desgovernado se equipara comigo,
Olharam para o moribundo estatelado no caos de uma calçada,
Aqui nesta cama de solidão misturada com vidros verdes e castanhos
Estou eu cansado, dorido, envergonhado, cortado; vejo o meu orgulho desbotado no chão.
Não peço dinheiro ou comida, peço algo mais, peço apenas sonhos,
Mendigo esperança, tento percorrer estas ruas até à inexistência,
Mas hoje, mais uma vez, lembrei-me nesta noite fria o motivo pelo qual estou nesta situação,
Lembro-me que tu nunca me disseste obrigado ou desculpa, errar para ti não era opção;
E lembro-me ainda, vagamente, de pessoas, talvez amigos, perdi as suas identidades,
Mas lembro-me dos seus rostos, dos momentos pelo qual passamos juntos;
Tento apagar a minha imagem dos poucos corações que ainda sabem quem sou,
Na vida existe momentos em que é preciso nos esquecermos que temos passado,
O sol, a chuva, o vento, a sombra, sobretudo a que de mim sai, já é castigo suficiente.
Paro de pensar, baixo a cabeça ao passar um grupo mais agitado,
Sinto o seu desprezo, como o das pessoas que me viraram as costas quando parti,
Não passo de mais um mendigo, um desperdício de sociedade rendido à mediocridade de viver,
Ninguém sobrevive de sonhos, mas também ninguém vive sem eles. E eu perdi os meus,
Perdi o teu olhar neles, pelo meu imaginário há vazio, faz tanto frio neste esquecimento,
E por isso mendigo sonhos, na esperança de te voltar a encontrar
Pela razão mais egoísta de todo o Mundo, a minha Felicidade.
Se ainda houver luz nesse coração apagado, nessa ilusão de correspondência,
Nessa casa onde nunca fui dono, nem convidado, fui apenas um nome que apareceu,
Desculpa, acima de tudo, por ter desistido, por ter deixado de saber sonhar,
Por ter deixado de sorrir, de acreditar em ti, em nós, o teu Mundo fez-me o mesmo.
Juntei no céu com o olhar as estrelas que via, desenhei com elas um homem melhor, um homem como eu nunca consegui ser,
Se estivesses aqui, de certeza que ias gostar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Concerto

               A noite estava fria, assim como tu! Podia ser assim que definiria esta noite, mas nem te vi, a noite aqueceu um pouco, o concerto estava cheio, planos falhados assumiram o mote e levaram à tentativa de contornar a situação, até dancei para esquecer a minha figura, a noite valeu a pena por estar com os amigos, por rever antigos amigos, para ver amigas virtuais, nem as cumprimentei, mais uma vez fui um cão, podia-lhes ter dito pelo menos um olá, mas como sempre fui ridículo, um cobarde com medo de uma recepção menos inóspita, mas mesmo assim contente por ver que estão bem, pelo menos aparentam. Nesta multidão muito receptiva ao Cid vi que ainda pode haver momentos e pessoas felizes, como pano de fundo havia Alenquer e no horizonte um mar de pessoas entoando o seu espólio, tanta felicidade, mas tu nem apareces-te, a vida continua questionável, a minha educação em degradação, a minha figura escasseia em tanta beleza que aqui está, mas fica o grande concerto do Cid.