O tempo caminha a passos largos para o dia de natal, o frio já se faz habituar e tem caído geadas dissimulando a neve que não vai cair, mas não é só a neve que não vai existir naquele dia, a noite de consoada impera no imaginário como das noites mais importantes do ano, mas existe uma terra onde a noite da consoada é um acto desumano de união. Todos os anos um grupo de amigos e pessoas que não pertencem a esse grupo juntam-se num armazém para celebrar o aniversário do menino, para celebrar a generosidade do pai natal, para celebrar outra qualquer convicção ou apenas a falta de uma; naquela terra o jantar da consoada é como outro qualquer jantar, talvez a única diferença é ter um menu igual todos os anos, assim como o facto de acabado o jantar as famílias dessas pessoas efectuam a mesma rotina de todos os dias do ano, então nessa mórbida solidão esses amigos acabam por sair e andarem à deriva nas ruas tristes, acabando sempre a noite naquele armazém juntos, uns trajados com camisolas da Dolce Gabana e ténis Merrell partilhando o mesmo momento com aqueles que têm as calças rasgadas por causa dos anos de uso diário, eles também são humanos, um dia foram ensinados a partilhar, eles também tentam que aquele aniversário seja como tantos outros aniversários e muitos ou quase todos aqueles amigos acabam-se por embebedar, mas hoje têm uma boa razão para o fazer, para esquecerem a família encenada que não têm. Naquele dia, ali, todos são iguais, todos são alegremente e amarguradamente tristes.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dejá Vu
Dejá Vu! É exasperante tentar perceber! Olho para esta avenida de sonhos desfalecidos, desfocados em esperanças vãs, mas elucidativas. Estou cansado, sento-me descaindo os braços pelas pernas, concentro-me em intransitivas realidades, não que me apeteça, mas porque assim o tempo me obriga, penso e repenso chegando sempre à mesma conclusão; trago em mim uma necessidade enorme de beber, o álcool é o maior calmante da alma, ajuda momentaneamente a esquecer a razão pela qual começamos a beber, reduz o nosso ego a uma ingénua e enganadora felicidade, pego na garrafa fechada e deixo-me cair para trás, mantenho-me deitado nesta estrada de ambições desfiadas até que o tempo me traga a sabedoria de desistir. E é sem perceber nada que neste abismo de mágoas que me penduro, tento facetar o olhar para extrair algo de positivo de todos os acontecimentos que me obrigam a escrever, não que eu não goste de escrever, mas pelo motivo que o tenho de fazer, faz-me por em causa tudo e mesmo o pouco talento que poderia ter tido acho que o perdi. Sou apenas uma (des)ilusão e tudo o que faço é um espelho disso, por tudo isto é que a resignação é a única via para a socialização.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Alquimia Invertida
O silêncio é rasgado pelo impetuoso coro de onomatopeias vociferadas por Dexter Holland e seus comparsas, acordo no meu leito de inquietudes, aproveito os últimos dias de Verão, levanto-me com a cabeça dispersa em tantos lados, apresso-me no tempo que se desenvolve, que estranho, parece que a noite trocou com o dia, está escuro, aliás muito escuro; também parece que o mar se mudou para o céu, está aguerrido nos projécteis diluídos que expele nas suas marés, uma preparação para o Inverno, talvez, mas vai ensaiando um dissimulado sorriso de timidez e breves aparências solares; estão reunidas as condições para a melancolia, sustentadas pelo ambiente quente que está no carro, pelo desprezo que sinto pelas músicas que estão a passar na rádio, faz-me silenciar tudo e desenvolver uma das minhas corrosivas lembranças de hoje, a descaracterização de um amigo, ele parece como o tempo de hoje, inesperado, lamentável, sinto-me apreensivo pelo seu desalento, ele tem o seu coração maniatado pela sua auto-estima, que ao ver a hipótese de ser feliz, recua por achar que não tem capacidade para tanta responsabilidade, por se achar inferior a tudo, refugiando-se na arrogância, num Mundo recriado e viabilizado pelos filmes que vê, tentando dissolver esta felicidade em esquecimento, sorrindo, por vezes, para esquecer o que lhe faz sofrer. Não sei como o hei-de ajudar? Não o gosto de o ver assim, amargurado, apesar de hoje ter-me parecido bem, um pouco sarcástico, mas está estável, amanha será uma incógnita, está despedaçado pelo seu amor, encontra-se desiludido, ele tem se parecido tanto comigo!
sábado, 30 de outubro de 2010
Halloween Experiences
(It kills the time until it is half night…)
Silence takes possetion of the town,
The long night erased the sun,
The witches and monsters crush the prison down,
Cries out and scares people for fun.
(Unleash your Nightmares…)
Drop off your mask
And put the other at your face,
Singing with the one terrific voice and smiling ask:
Trick or treat?
(Start your Vendetta…)
Your fears disappear in the water,
Today you return to the times of teen,
Smash the pumpkins of your father
And just enjoy your own Happy Halloween.
(You are the lost child in its empty minds…)
(Exist something strange in your heart…seems…seems off!)
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Virgem Suta - Linhas Cruzadas
(Pedia uma melódia mais entusiasmante, apesar de estar banalizada, fica aqui esta letra muito sui generis)
Reajo a esse incomodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar
É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor
(Refrão)
E falas de ti
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Displicência
Ainda o tempo é uma formalidade já eu ando ensaiando um protótipo de semelhanças para ir trabalhar, a rua parece um espelho com traços celestiais, o céu assemelha-se a um quadro melancólico delineado em tonalidades de cinzento, ouve-se a água a movimentar-se por entre os descampados e as casas que sustentam a civilização, do vento ouve-se um murmúrio insistente que nos traz à memória tempos antigos, enquanto a chuva parou por entre as esperanças dos que se aventuram neste desassossego. Parou, assim como eu, sentei-me nesta conjugação disfarçando imagens, tudo é um pretexto e nada uma resposta para tudo, faltam-me palavras, ideias, gestos; reparo que a chuva é como as pessoas, por vezes desejada, por vezes rejeitada, ora forte, ora fraca, ela também sofre de solidão, mas tem a solução de nesses momentos vir ter com todos nós, quando está aliviada desaparece por entre o rasto denunciante; hoje precisava de ti, para me arrefeceres, para sentir uma presença. A minha madrinha e a minha heroína tentaram, eu tentei indo ao café, mas não resultou, hoje precisava de mais, apetecia-me ser como a chuva, para não ter que dar explicações para ser feliz. Instalou-se em partículas uma ténue neblina no ar, nas minhas imagens, no meu coração, em tudo o que é bonito, parece que por hoje chega de ver realidades.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Sociologia à Máquina de Escrever
Tive um sonho estranho! Sonhei que estava em casa e batiam-me à porta, ia abrir e exclamava que era a perfeição, ela respondia que era um mito, perfeição é apenas um termo da paixão; nesta confusão de linguística acordei irritado e com força para criticar, a primeira conclusão a que cheguei é que a vida é um supermercado e nós aquelas pessoas que colocam rótulos nas coisas, afinal fazemos isso toda a vida, rotulamos pessoas, até mesmo aqueles que dizem odiar rótulos, parte-se do pressuposto que odeiam as pessoas que os aplicam, mesmo sem as conhecerem, aplicam-lhes um rotulo também. Todos nós temos rótulos, todos temos um prazo, todos um dia estaremos na prateleira, noutro dia no lixo, vivemos das comparações e de frases ou ideias pré-concebidas, vivemos da opinião dos outros, apesar de dizermos que não nos afecta, vivemos do rótulo que os outros nos dão, da simpatia dos repositores e das tabelas estipuladas por mais alguém de rótulos. Confuso? Patético?
Segunda conclusão a que cheguei é que um perdedor é sempre um vencido, mesmo quando vence essa vitória não é verdadeira, ela apenas atenua a derrota. Vejamos pelo sexo feminino, uma espécie esplêndida, admirável; uma pessoa com uma boa escolha musical revela a sua personalidade! Rótulos e tabelas (outra vez), eu tenho as minhas e todos temos os nossos parâmetros para avaliar pessoas, baseando-me nas minhas tabelas cheguei a uma conclusão e deixo uma questão de difícil compreensão, pelo menos para mim, porque é que existe mulheres, que preenchem vários requisitos, de tabelas díspares, rotuladas com potencial, adoptam uma postura arrogante (uma vantagem de qualquer mulher bonita), um estatuto de intocáveis durante o pré e pós universidade e quando estão de fim-de-semana durante o período universitário, todavia quando estão na Universidade perdem todas as directrizes que tinham tomado até agora, parecem fúteis, básicas, algumas a tocarem o desinteresse? Chega a ser ridículo o ar megalómano que certas pessoas passam atreladas a pessoas da mesma estirpe ou pior das que rejeitavam. Afinal o que é que mudou?
Eu também tenho rótulos e até acho que acabei de ganhar mais uns quantos, mas na verdade quem é que na vida já não se deparou com estes casos? Por vezes a ambição leva-nos ao ridículo e quando nos deparamos com o vazio esquecemos o que um dia criticávamos. Confuso? Patético? Olhei para o lado e mesmo assim existia inexistência, também não ando na Universidade, logo numa tabela perfaz…
Segunda conclusão a que cheguei é que um perdedor é sempre um vencido, mesmo quando vence essa vitória não é verdadeira, ela apenas atenua a derrota. Vejamos pelo sexo feminino, uma espécie esplêndida, admirável; uma pessoa com uma boa escolha musical revela a sua personalidade! Rótulos e tabelas (outra vez), eu tenho as minhas e todos temos os nossos parâmetros para avaliar pessoas, baseando-me nas minhas tabelas cheguei a uma conclusão e deixo uma questão de difícil compreensão, pelo menos para mim, porque é que existe mulheres, que preenchem vários requisitos, de tabelas díspares, rotuladas com potencial, adoptam uma postura arrogante (uma vantagem de qualquer mulher bonita), um estatuto de intocáveis durante o pré e pós universidade e quando estão de fim-de-semana durante o período universitário, todavia quando estão na Universidade perdem todas as directrizes que tinham tomado até agora, parecem fúteis, básicas, algumas a tocarem o desinteresse? Chega a ser ridículo o ar megalómano que certas pessoas passam atreladas a pessoas da mesma estirpe ou pior das que rejeitavam. Afinal o que é que mudou?
Eu também tenho rótulos e até acho que acabei de ganhar mais uns quantos, mas na verdade quem é que na vida já não se deparou com estes casos? Por vezes a ambição leva-nos ao ridículo e quando nos deparamos com o vazio esquecemos o que um dia criticávamos. Confuso? Patético? Olhei para o lado e mesmo assim existia inexistência, também não ando na Universidade, logo numa tabela perfaz…
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